Ailton Elisiário
O autor é economista, advogado, professor da Universidade Estadual da Paraíba e membro da Academia de Letras de Campina Grande.
Segunda-Feira, 20 de Fevereiro de 2012 11h37
A melhor religião
O teólogo católico Leonardo Boff conta que certa vez indagou ao Dalai-Lama, líder budista mundialmente conhecido, qual seria a melhor religião. Com esta pergunta Boff esperava que ele lhe respondesse que era o budismo tibetano ou alguma das mais antigas religiões orientais.
Perplexo, Boff ouviu do Dalai-Lama esta resposta: a melhor religião é aquela que te faz melhor.
Está aqui a exata compreensão do pluralismo religioso. A existência de várias religiões responde a uma variedade de pessoas com diferentes visões da vida.
Se ele dissesse que o budismo é a melhor religião para todos, estaria desconhecendo que pessoas diferentes têm disposições mentais diferentes e, por isto, há que se ter a diversidade de religiões.
Se a diversidade religiosa é necessária porque responde às diferentes posições mentais das diferentes pessoas, o budismo é tão conveniente aos budistas quanto o islamismo aos muçulmanos, o judaísmo aos judeus e o cristianismo aos cristãos.
Não há, pois, nenhuma religião melhor que outra, se não aquela que melhor satisfaça a espiritualidade de cada um e ao modo de bem servir ao semelhante.
Nenhuma religião ou igreja tem o direito de se impor sobre as demais como a melhor ou a verdadeira. As religiões são boas porque elas beneficiam as pessoas. Se cada uma delas faz a pessoa ser mais humana, há um critério ético em todas elas.
A ética, neste caso, não é cristã, budista, maometana ou judaica, mas a ética humana, aquela que é aceita por todo ser humano.
Toda religião é digna de respeito, porque elas possibilitam a cada um desenvolver o que tem de melhor dentro de si, porque elas indicam o caminho da paz interior. Suas diferenças litúrgicas e doutrinárias não devem interferir na escolha das pessoas.
As religiões decorrem das culturas dos povos que as estruturam segundo suas crenças e costumes. Em razão disto elas devem ser reconhecidas e legitimadas.
O proselitismo religioso é que se constitui o grande mal, pois na ânsia de se sobrepor às demais, cada religião torna-se o verdugo de todas as outras gerando conflitos e guerras.
A melhor forma de se evitar tais violências é exatamente o respeito mútuo. Este é o caminho de aproximação dos fiéis dessas diferentes religiões para um trabalho comum em prol da humanidade.
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