A mãe de uma pré-vestibulanda me confessa uma preocupação inusitada: que a oferta – em enxurrada – de novas vagas para os cursos das universidades públicas, acabe por resultar em queda na qualidade do ensino e, consequentemente, da formação profissional oferecida pelas instituições.
Trata-se de preocupação incomum, porque ainda é rara a postura de valorização da qualidade em vez da quantidade. É bem mais freqüente considerar que basta a oferta de mais e mais vagas, diminuindo a “concorrência”, e estará tudo muito bem resolvido. A mãe preocupada sabe que não é bem assim.
Digo-lhe que ainda há, na universidade, entre professores e universitários, quem se inquiete com a perspectiva de oferecer, dentro de dois anos, por exemplo, o dobro das vagas atuais, como acontecerá para alguns cursos. E isso sem que estejam asseguradas as condições materiais e os recursos humanos necessários para a absorção desse contingente de alunos.
Dir-se-á que o programa REUNI, do governo federal, garantirá essas condições. No entanto, com a primeira ampliação de vagas já prevista para o primeiro semestre de 2009, é absolutamente insuficiente o que se percebe hoje em termos da melhoria e expansão da infra-estrutura física e dos quadros docentes e técnico-administrativos das universidades.
Referimo-nos à construção de novas salas de aula, laboratórios, bibliotecas, ambientes de alunos e professores – com expansão e atualização da infra-estrutura existente, aquisição de mais livros, novos equipamentos etc. E, claro, contratação de novos professores e servidores, para dar conta da “clientela” de alunos que alguns cursos pretendem dobrar até 2010.
Ora, os docentes e estudantes de hoje sabem da insuficiência e precariedade da infra-estrutura existente (salas de aula, laboratórios, número de professores etc.), para atendimento aos alunos de agora. E que boa parte do que se promete com o programa REUNI seria suficiente, apenas, para compensar deficiências atuais.
Haverá, portanto, uma precarização das condições de hoje, sob o rótulo de que o governo promoveu inclusão e democratização do acesso às universidades. A que custo? A mãe preocupada já antevê o preço a pagar: o risco de que, nos cursos que hoje conseguem oferecer formação satisfatória, sofra sensível queda a qualidade dessa formação.