O que precisamos para uma contar uma história? Uma segura narrativa presente no texto, nos gestuais, na intensidade dramática, na luz, na cenografia. Cinema se faz com boas histórias e com um equipe em sintonia.
O curta metragem A Ética, do mineiro Pablo Villaça, é um boa proposta para estes desafios. Afinal quando os recursos são parcos, o sobressalto se dá com criatividade e competência.
O filme trata-se de um recorte atemporal, não sabemos o dia, nem hora onde os fatos ocorrem. Duas pessoas, matador e alvo, desenvolvem um tenso diálogo sobre a ética presente no cumprimento ou não do ‘serviço’.
O que vemos na tela é um ambiente claustrofóbico que parece ferver na medida em que o diálogo, diga-se de passagem corrosivo e muito bem construído, evolui.
Numa espécie de xadrez dialógico os argumentos apresentados que justifiquem a situação daquelas duas pessoas, vai se sobrepondo tal qual camadas de uma cebola, o que funciona como uma espécie de bússola a nos guiar por um instigante labirinto.
Assim como na obra Plínio Marcos, os palavrões contidos no roteiro também assinado por Pablo possuem funcionalidade, em grande parte como válvula de escape das emoções dos dois personagens. As pausas também somam e muito para contar a história, ressaltando a força, a responsabilidade e a maturidade dos atores em cena.
A luz predominantemente vermelha é outro importante apoio na narrativa, nos revelando por trás da penumbra as várias facetas que compõe os personagens.
Da ira a vulnerabilidade, da revolta à frieza, um caldeirão de sentimentos pra lá de voláteis preenchem a história com direito a reviravoltas (nunca subestimem um curta).
O desfecho final se dá de forma circular, porém com muita categoria, uma bela peça de encaixe com um preâmbulo absolutamente justificado.
Paulo Villaça é um dos competentes críticos de cinema deste país, contradizendo a idéia de que esta área só habita cineastas frustrados, Pablo nos oferece com segurança uma direção madura e equilibrada, sem apelar para maneirismo ou inovações nos movimentos de câmera . Uma gramática cinematográfica essencial, mas que faz toda uma diferença para quem sabe contar um história. Nada mais ético para um apaixonado por cinema
Curta o filme pelo link abaixo e deixa lá o seu comentário.
http://www.cinemaemcena.com.br/pv/BlogPablo/page/A_etica.aspx