
Em 1954, portanto há 56 anos, o então acadêmico de direito Wilson Braga, aos 23 anos de idade se elegia deputado estadual em nosso Estado, representando o município de Conceição. Era o seu primeiro mandato. Atualmente exercendo o seu sétimo mandato na Câmara Federal, após ter sido também governador, prefeito e vereador em João Pessoa, bateu nele a saudade da Assembléia Legislativa, e após ter o nome homologado na convenção do seu partido como candidato a deputado estadual, sua volta triunfal à “Casa de Epitácio Pessoa” já é esperada.
Quando tomar posse na Assembléia Legislativa, pois sua eleição é tida como certa, Wilson Braga, que estará beirando os 80 anos de idade, pois nasceu em 18 de julho de 1931, levará a sua experiência de legislador aos jovens deputados estaduais. Na sua vida política foram 13 mandatos conquistados, sendo onze em Câmaras Legislativas como parlamentar, um como prefeito e outro como governador.
UM MENINO NA ASSEMBLÉIA
Wilson Braga só não foi o mais jovem deputado estadual na legislatura 54/58, porque um “menino” de 18 anos - se é que assim possamos chamar, foi eleito também, tornando-se o mais jovem deputado estadual da Paraíba de todos os tempos. O “menino”, que ainda hoje está em destaque na política paraibana, chama-se José Targino Maranhão, nosso atual Governador, que nasceu em 6 de setembro de 1936. Maranhão é candidato à reeleição e está ganhando nas pesquisas.
OUTRO WILSON
Na eleição para Assembléia Nacional Constituinte em 1986, que já se foram 24 anos, Cássio Cunha Lima não apenas foi o deputado federal mais jovem da Paraíba, mas também do Brasil. O “menino” de Ronaldo, como era conhecido na época, tinha apenas 23 anos de idade. Mas pelos comentários atuais, este posto de deputado federal mais jovem Cássio deverá perder na eleição deste ano para Wilson Santiago Filho, que nasceu em 10 de agosto de 1989 e deverá se eleger para a Câmara dos Deputados com apenas 21 anos de idade. O seu pai - atual deputado federal Wilson Santiago, embora tenha chances, poderá até não se eleger Senador, pois está disputando uma das duas vagas, porém o seu “menino”, segundo os entendidos, já pode encomendar desde já o terno para a posse como deputado federal, que acontecerá no dia 1º de janeiro de 2011.
MARCA REGISTRADA
Um dos novos candidatos a deputado estadual na Paraíba, chama-se Janduhy Carneiro Sobrinho, da região de Pombal. Quem não conheceu o seu tio Janduhy Carneiro, campeão de votos para deputado federal, tendo seguidamente se elegido oito vezes para a Câmara dos Deputados? O folclorista Zeca Boca de Bacia disse que, com esse nome - que é uma marca famosa na política paraibana, até mesmo ele se elegeria deputado. Vamos ver se o resultado das urnas confirma este prognóstico genético familiar.
RECUSOU ASSUMIR MANDATO
É comum se dizer que fulano ou cicrano tinha uma eleição garantida para este ou aquele cargo, porém desistiu da candidatura. Como exemplo podemos até dizer que Ivandro Cunha Lima iria disputar nesta eleição uma cadeira na Assembléia Legislativa da Paraíba e que ninguém tinha dúvida de que o mesmo seria eleito. Era uma hipótese com grande chance de ser viabilizada. Ivandro desistiu de ser candidato a deputado estadual passando a ser candidato a suplente de senador.
No caso de Ivandro é apenas um exemplo, diferente de Severino Pereira Gomes, recentemente falecido que foi convocado para assumir uma cadeira de deputado estadual como titular e recusou, morrendo sem ter sido deputado. Isto ocorreu em 1976 quando o deputado estadual Enivaldo Ribeiro renunciou ao mandato para o qual tinha sido eleito em 1974 pela Arena e já tinha cumprido dois anos. Enivaldo Ribeiro foi eleito prefeito de Campina Grande em 1976 e para assumir teve que renunciar a deputação. Severino Gomes que era o primeiro suplente da bancada de Enivaldo assumiria o restante do mandato (dois anos) na condição de titular se assim o quisesse, porém não quis.
Tem uma explicação para este fato, pois pela lógica ninguém recusaria uma cadeira de deputado que de direito lhe pertencia, sem nenhuma justificativa plausível; é que, neste mesmo pleito municipal em que o deputado Enivaldo Ribeiro se elegeu prefeito de Campina, o primeiro suplente de deputado Severino Gomes também se elegeu prefeito de Picuí. Para aquela eleição realizada em 1976 o mandato de prefeito seria de seis anos, então Severino Gomes não quis trocar seis anos de prefeito por apenas dois como deputado estadual. No seu entendimento, após concluir o mandato de prefeito de um município do porte médio como Picui, facilmente se elegeria deputado estadual depois. Puro engano, pois Severino Gomes foi novamente candidato a deputado estadual mais duas vezes, não conseguindo se eleger.
Severino Gomes foi um grande político populista, não somente em Picuí onde foi prefeito duas vezes, mas noutros municípios da região. Em 1996 o distrito de Baraúna emancipou-se de Picuí, quando Severino Gomes tornou-se o primeiro prefeito eleito daquele novo município. Seu raio de ação política atingia não só Picuí e Baraúna, municípios já governados por ele, mas também outras comunas do Curimatau, principalmente Cuité, Pedra Lavrada, Nova Palmeira e Nova Floresta, bastando dizer que o seu apoio era muito disputado por candidatos a deputado federal.
O sonho de ser deputado estadual chegou perto mais uma vez na eleição passada (2006), pois, sétimo suplente da coligação PSDB, PTB, PP e outros partidos num total de 12 deputados eleitos, numa manipulação para beneficiar alguns suplentes, titulares se afastaram, permitindo que a convocação chegasse até o sexto suplente Vital Costa. Então, bastava convocar mais um suplente que seria no caso Severino Gomes, o sétimo. Mas isto não aconteceu e Severino Gomes morreu sem ter sido deputado.
* José Morais Lucas é médico, jornalista e Membro da Academia de Letras de Campina Grande