09 de setembro de 2010
Busca:
Redação: (83) 3342.0882, redacao@paraibaonline.com.br

Dê sua opinião!Enviar esta página para alguém Imprimir esta página

COLUNAS
Hombridade e Machismo
Alberto Ramos

Para meu amigo Mário. Uruguaio pero no mucho

Para muita gente, as palavras acima são sinônimas.
Ledo engano.

Na sua forma mais ampla, os dicionários definem hombridade como varonil, intrépido. Já varonil é definido como viril, atributo exclusivo do homem.

Acho melhor a definição filosófica do termo.

Alguns (e eu com eles) acham que hombridade define postura, estabelece a diferença entre a conduta certa e errada, cria uma ética. Apesar de supostamente ser um termo masculino, ele é mais abrangente, versa sobre o comportamento humano; ter hombridade é algo vital e é válido para homens e mulheres.

Acho que tem a ver com dignidade, força, perseverança. E todos sabemos que estas qualidades não são exclusivas do homem. Muito frequentemente as mulheres tem mais hombridade que nós, principalmente naquelas situações onde se necessita da coragem não episódica. Contínua, crônica, sofrida.

Eu sempre fui cismado com o uso de hombridade como atribuição masculina. Há poucos dias li uma crônica de Fernanda Montenegro usando o termo com ela mesma. Eu tenho pelo menos uma companhia. E que boa companhia.

Já machismo tem a ver com outros atributos. É diferente. É baseado em uma “supremacia”. Alguém manda. Alguém domina. Alguém é superior.

Ou pelo menos pensa que é.

O machista é o que agride, humilha, mata. Tem que reiteradamente ficar afirmando sua “superioridade” sobre as mulheres. Que a toda hora coça as partes pudendas, cospe no chão e grita com os que ele considera inferiores. No entanto, não tem esta coragem toda. São como os aventureiros que Joseph Conrad descreve no seu livro “O coração das trevas” que deu origem ao ótimo filme Apocalipse Now: “... a conversa deles era a conversa de sórdidos bucaneiros – temerária sem bravura, gananciosa sem audácia e cruel sem coragem.” (Joseph Conrad in “O coração das trevas”).

Na cadeia alimentar está ao nível do racista.

Já o racista, segundo Jean Paul Sartre em seu ensaio “Sobre o racismo”, é antes de tudo um complexado. Tem complexo de inferioridade incurável. Para mitigar seu sofrimento de sentir-se inferior, ele tem que, a toda hora, externar que o negro, ou o judeu, ou o árabe, ou o nordestino, ou o gay, são seres inferiores. Que o bom é ele, caucasiano, nazista, judeu, sulista ou machista nesta ordem.

Pensei nisto ao terminar de assistir ao jogo do Uruguai contra a Holanda e compará-lo com o jogo da nossa seleção contra a mesma Holanda.

A impressão amarga que me ficou foi que os uruguaios tiveram hombridade. Nós fomos machistas.
Como não comparar os nossos pseudovalentes, histéricos, covardes, jogadores com a hombridade dos uruguaios.

Não é uma questão de “ser bonzinho”. De ser um time com fair play de quase 100% como foi a Coreia do Norte. O Uruguai também fez faltas. Exatamente uma falta a cada 3,12 minutos jogados. Enquanto isto o Brasil fez uma falta a cada 2,26 minutos jogados (fonte: http://espnbrasil.terra.com.br/estatisticas). Parece pouco. No entanto é um aumento de 72,4% de faltas.
Além disto, tínhamos um comportamento diferente quando das faltas. Lembro-me de um lance onde Robinho fez uma falta clara, o juiz marcou e ele ficou histericamente gritando contra o jogador da Holanda que estava caído e que provavelmente ele (Robinho) achava que ele estava fingindo, obnubilado nas brumas de sua incapacitação e despreparo técnico e emocional.

No dia do jogo do Uruguai, não pretendia assistir a partida. Afinal de contas o time cisplatino também não estava esta celeste olímpica toda.

Aliás, isto foi uma constatação recorrente na copa. A mediocridade campeou.

Pois bem. Por acaso ao passar em frente da TV estava acontecendo um lance razoavelmente emocionante. Fiquei mais um pouco e terminei assistindo até o final. Que convenhamos, foi um senhor final de jogo. Emocionante com o Uruguai dando sufoco na Holanda e por pouco não fazendo um gol nos instantes finais.

Bem diferente dos nossos meninos birrentos.

Além de nada jogarem, histéricos, dando botinadas para tudo que era lado. O lance onde Felipe Melo foi expulso é didático. Típico do covarde despreparado. É semelhante ao policial que atira na multidão, que agride pacíficos grevistas. É igual ao bandido que tremendo de medo atira na vítima.

O mecanismo é o mesmo.

Covardia + Despreparo.

Para concluir, acho que teve um agravante na seleção de Dunga.

O autoritarismo do técnico. Proibiu tudo.

Enquanto isto os uruguaios ficavam com suas companheiras e namoradas, comiam churrasco e tomavam vinho.

Não sei se existe embasamento científico mas os antigos diziam que uma abstinência sexual demorada fazia mal a saúde. Parece que um laticínio coagulado e fermentado se acumula no cérebro e provoca vários distúrbios comportamentais.

Não sei se é verdade, mas ao observar o conjunto de atitudes dos nossos jogadores e técnico era possível acreditar que cada um tinha pelo menos um quilo de queijo no cérebro.

Outras colunas »
* Alberto Ramos é médico endocrinologista, professor do curso de medicina da UFCG, coordenador da pós-graduação do HUAC/UFCG.

PARAÍBA ONLINE 2009