...

Campina Grande - PB

Coluna de Padre Assis: O Senhor nos abençoe com a sua Paz

31/12/2016 às 19:16

Fonte: Da Redação

Celebramos neste dia a solenidade da Santa Mãe de Deus, Maria. Trata-se da primeira festa mariana que podemos constatar na Igreja ocidental. Tem um especial significado dedicar a primeira celebração litúrgica do ano a Maria. Comecemos o novo ano dizendo, agradecidos: Santa Maria, Mãe de Deus rogai por nós para que percorramos santamente estes próximos dias.

Maria é a mãe do Deus encarnado na pessoa humana de Jesus de Nazaré e por isso a veneramos com o título de Santa Mãe de Deus. Os cristãos sempre acreditaram nesta verdade, embora só fosse solenemente definida no Concilio de Éfeso (431). Mas podemos nos perguntar, porque o Senhor quis que Maria fosse Mãe de Deus? Pelo mesmo motivo pelo qual quis a Encarnação, “por nós homens, e para a nossa salvação”.

Maria é Mãe de Deus para que nós possamos alcançar o Céu e sermos filhos e filhas de Deus. Veneremos com especial devoção a Santa Mãe de Deus e nossa Mãe, pois sua maternidade espiritual se estende ao longo dos séculos de maneira ativa e sobrenatural à humanidade inteira.

A maternidade divina de Maria é um privilégio, inimaginável. São Paulo (cf. Gl 4,4-7) lembra aos gálatas o caminho seguido por Deus para nos redimir: o Filho de Deus se fez homem, “nascendo de uma mulher”:

Maria, para que o homem se tornasse filho de Deus. Ela é verdadeiramente Mãe de Deus, não num sentido figurado, porque verdadeiramente deu à luz o Filho de Deus no seu nascimento. Nossa Senhora não é Mãe só da natureza humana de Jesus, mas da Pessoa a quem pertencem esse corpo e alma humanos. Por isso Maria é verdadeiramente Mãe de Deus enquanto homem.

Com ela também vamos a Belém. A Igreja, na Liturgia do primeiro dia do ano civil, regressa a Belém, acompanhando os pastores para contemplar de novo o mistério da encarnação. Nunca nos cansamos de contemplar o Amor com que nosso Deus nos ama, e esse amor tem a sua mais plena expressão no Menino que dorme numa manjedoura.

Com os pastores encontramos José e Maria e reconheçamos no Menino que está nos braços de sua Mãe, o Salvador anunciado que traz a todos a esperança e a paz.

Segundo o relato de São Lucas (cf. lc 2,16-21), José e Maria recebem o testemunho de alegria dos pastores que obedeceram à mensagem dos anjos.

Ela sem entender muito bem o que está acontecendo medita e “guarda em seu coração”. Ao longo de toda sua vida a Mãe de Jesus repetirá essa atitude contemplativa e silenciosa da realidade do Filho de Deus.

“Quando se completaram os oito dias para a circuncisão do menino, deram-lhe o nome de Jesus, como fora chamado pelo anjo antes de ser concebido” (v. 21). O significado da circuncisão é o sinal da aliança entre Deus e o seu povo, assim Jesus entra para fazer parte do povo de Israel, o povo com o qual Deus estabeleceu sua aliança.

Na circuncisão Jesus recebe também o nome “Jesus”, que significa “Deus salva”. É um nome no qual fica refletida a importância da vinda de Jesus para a aliança de Deus com Israel. Deus envia Jesus para salvar seu povo.

Com a imposição do nome, Jesus passa a ser alguém a quem se possa dirigir e cuja missão vem definida. A partir deste momento pertence a Israel aquele que salva seu povo e a toda a humanidade por encargo e com a força de Deus.

Começamos o ano, também recordando a aliança, a benção solene com que o povo de Israel iniciava o seu novo ano: “O Senhor te abençoe e te guarde! O Senhor faça brilhar sobre ti a sua face e se compadeça de ti! O Senhor volte para ti o seu rosto e te dê a paz!” (Cf. Nm 6,22-27).

É muito significativo ouvir estas palavras de bênção no inicio de um ano novo: acompanharão o nosso caminho neste tempo que se abre diante de nós. São palavras que dão força, coragem e esperança, esperança que tem sua razão de ser na bênção de Deus, repletos da proteção amorosa do Senhor, da sua ajuda providente.

No Antigo Testamento “abençoar” é desejar toda classe de bens materiais e espirituais. Não só em tempos de crise; todos os anos, e todos os dias, é bom pedir a Deus que tenha piedade de nós e nos abençoe.

Neste primeiro dia do ano 2017 parece certo que teremos que viver o ano que começa envoltos na névoa da crise econômica e das continuadas crises de valores cristãos. Mas não mais nos assustamos, porque o ser humano sempre tem vivido, de uma ou de outra maneira, envoltos em alguma crise.

O viver humano já é, em si mesmo, um viver em crise. Por isso, necessitamos levantar-nos cada dia com um propósito renovado de vencer nossas crises. Para consegui-lo necessitamos a piedade de Deus, seu amor e sua misericórdia. Peçamos a Deus que tenha piedade de nós e nos abençoe.

A grande novidade dessa bênção é a nossa filiação divina. Deus nos abençoa tornando-nos seus filhos e filhas. Mas fá-lo por meio de Maria. A sua bênção veio até nós como fruto do seio imaculado de Nossa Senhora. Todos os dias rezamos: “Bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus!” Lembremos então que Jesus não só é o bendito, mas é a bênção que nos faz benditos a nós.

Igualmente também celebramos o dia mundial da paz e saudamos a Maria como “Rainha da Paz”. Este título lhe é dirigido na última das invocações da ladainha. A Rainha da Paz é a Mãe do Príncipe da Paz (cf. Is 9,6) anunciado pelos profetas. Se o Filho de Deus é o Príncipe da Paz, a Mãe do Filho de Deus é a Rainha da paz.

“A não violência: estilo de uma política para a paz” é o lema e o título que dá o Papa Francisco a sua mensagem para este 50º dia mundial da paz. A paz é o bem mais necessário para uma boa convivência.

Mais de uma vez se disse na Bíblia que a paz e a justiça se abraçam e se beijam. Sem verdadeira justiça não pode existir a paz.

A “não violência ativa”, da qual fala o Papa Francisco, deve ser sempre um desejo vivo e eficaz, sabendo que é algo muito difícil de conseguir.

Não só os Estados e os Governos, mas cada um de nós deve aspirar a não responder o mal com o mal, mas sim a superar o mal fazendo o bem, amando a todos, inclusive nossos inimigos, tal como se nos manda o evangelho.

Transcrevo aqui algumas palavras dessa mensagem do santo Padre que devemos lê-la na integra: “Almejo paz a todo o homem, mulher, menino e menina, e rezo para que a imagem e semelhança de Deus em cada pessoa nos permitam reconhecer-nos mutuamente como dons sagrados com uma dignidade imensa. Sobretudo nas situações de conflito, respeitemos esta dignidade mais profunda e façamos da não-violência ativa o nosso estilo de vida.”

Peçamos ao Senhor, que nos abençoe, ajudando-nos a conseguir a paz, individual, familiar e paz entre todos os povos e nações da terra. “Todos desejamos a paz; muitas pessoas a constroem todos os dias com pequenos gestos; muitos sofrem e suportam pacientemente a dificuldade de tantas tentativas para a construir.

No ano de 2017, comprometamo-nos, através da oração e da ação, a tornar-nos pessoas que baniram dos seus corações, palavras e gestos de violência, e a construir comunidades não-violentas, que cuidem da casa comum. Nada é impossível, se nos dirigimos a Deus na oração. Todos podem ser artesãos de paz”.

Este é um dia para dar graças a Deus por tudo o que vivemos neste ano que terminamos, graças pelo que viveremos no ano que começa, graças por todo o novo que aparece em nossa vida. Peçamos a Deus que todos os bons desejos que temos e que nos desejamos no Novo Ano se tornem realidade. Feliz Ano Novo!

Por: Padre José Assis Pereira

Veja também

Comentários